E no final de semana…
Maio 19, 2008
Bom, como tradicional, fui pra Padova trabalhar. Nada demais, o dia estava chuvoso, e com isso voltei cedo pra Verona.
Chegando na estação, vou procurar minha bicicleta, e de cara fico surpreso com a manifestação em frente a estação, sempre acompanhada por inúmeros veículos e o análogo à “tropa de choque da PM” daí, mas muito melhor equipada, aqui. Felizmente, minha bicicleta estava só no centro do manifesto, então tranquilamente fui retirá-la, e fiz algumas fotos (e um vídeo) que depois eu posto.
O legal é o vídeo que foi parado porque um dos manifestantes, vindo de uma grande faixa escrito “Libertà”, veio me dizer que eu não podia filmar. Adoro pessoas fiéis e consistentes aos seus ideais.
De noite fui ao cinema com a Irene (a italiana morando lá conosco) e Alice (amiga da Irene), ver “Gomorra” que é um filme que fala sobre a Camorra em Nápoles. Interessante… mas alguém tem os números da violência no RJ? O pessoal se escandalizou com o filme, que termina falando como 4 mil pessoas foram mortas em não sei quantos anos (é algo como 1 pessoa a cada 3 dias)… meu! No RJ a gente já não está contando isso por minuto, não?
E domingo basicamente foi receber a Andrea vindo da Alemanha que passa uma semana por aqui… com o momento mega-cômico de explicar “Então, esse é o elevador, e ele é meio assust… (CLUNK!)”… bom, ficamos presos no elevador que resolveu travar, e não funcionava. Ligamos pro suporte técnico, e esperávamos, quando um casal do edifícil chegou e pode chamar o elevador que voltou a responder aos controles da gente e pudemos ir descer em outro andar. Fantástico!
Mesmo tranquilo, foi agitado esse final de semana
Português
Abril 30, 2008
Eu tenho espalhado devagarinho, porque ainda não tenho como comprovar (leia-se: falta programar a viagem pra Roma quando chegar aqui a papelada pra pedir o passaporte), mas tava na hora de divulgar: virei português! Saiu finalmente a cidadania! Cool, né?
Esses estrangeiros!
Abril 16, 2008
Cena surreal ontem, voltando pra casa: estou no ponto do terminal, 23h33 vai passar o último ônibus pra minha atual casa.
Nisso passa um cara bem mal encarado, pelo nada compreensível falar imagino que de algum canto “árabe” (não sei ainda qual a principal origem destes pra cá, mas há muitos! Acho que tantos ou mais por aqui em Verona ao menos que os africanos, ambos formando a grande maioria dos imigrantes que eu vejo e não seja um claro grupo de turistas).
O cara vai pro canto, cola num rapaz e pega num saco (incrível! Saco com aparência de vendido em mercado: com desenho, descrição, etc, mó comédia! Eu vi em detalhes depois que o rapaz pegou ônibus comigo e reabriu o mesmo na minha frente
) um pouco de “erva” e começam a preparar dois fumos.
O resto do ponto se afastou e veio pra minha direção. Nisso haviam (raro nessa hora) dois senhores italianos, um deles que um bêbado tinha acabado de surtar e quase foi pra cima, na outra ponta da estação (foi mesmo um dia surreal), e estava ali sentado no canto todo assustado já tinha tempo, e outro que acabara de chegar e vem e senta do meu lado perguntado dos ônibus norturnos.
Felizmente as perguntas eram simples, eu só precisei dizer “Sim”.
Então o senhor senta do meu lado, o outro homem de uns 30 a 35 que fugiu do lado dos caras fumando veio junto, e começam a conversar sobre como foi bom o Berlusconi ter ganho as eleições (aviso: basicamente um dos discursos é culpar os imigrantes pelos problemas econômicos e violência atuais pela Itália, que claro, não se compara a violência no Brasil, mas parece estar preocupando muito). E começou a falar que tem mesmo que mandar de volta todos esses @#$% estrangeiros pra casa!
E eu lá ouvindo, o cara de repente vira e me pergunta “Você é daqui de Verona mesmo?”. E eu “Não, sou brasileiro.”. O velho, após o momento de constrangedor silêncio fala algo como “Mas os brasileiros roubam…”, e o outro homem ali na conversa, rindo disfarçadamente “Nada, os brasileiros são sempre legais aqui. O problema são esses árabes.” (eu generalizei, juro que ele falou uma ou duas nações que designei de árabes, mas que realmente não lembro quais são!).
O ônibus chegou, e assim deixamos o constrangimento de lado.